Textos
11. O êxito dos fracassos
 
     
 

Meditação de retiro sobre a ressurreição do Senhor

Nem tudo é Sexta-feira Santa. Ressuscitou Cristo, minha esperança! «Eu sou a Ressurreição» (Jo 11,25). Está o Domingo, e esta idéia deve dominar-nos. No meio das dores e das provas… otimismo, confiança e alegria. Sempre alegres: porque Cristo ressuscitou vencendo a morte e está sentado à direita do Pai. E é Cristo, meu bem, quem ressuscitou. Ele, meu Pai, meu Amigo, já não morre. Que glória! Assim também eu ressuscitarei «em Cristo Jesus…» e atrás destes dias de nuvarrões verei Cristo.

Porque cada dia que passo estou mais perto de Cristo. As cãs… O céu está muito perto. Quando este fraco laço acabe de romper-se… «desejo morrer e estar com Cristo» (Fl 1,23). Porque Cristo triunfou e a Igreja triunfará. A pedra do sepulcro e os guardas creram tê-lo pisoteado. Assim sucederá também com a nossa obra cristã. Triunfará! Não são os maiores apóstolos os de mais fachada; nem os melhores êxitos os de mais aparência. Na ação cristã há o êxito dos fracassos! Os triunfos tardios! No mundo do invisível, o que em aparência não serve, é o que mais serve. Um fracasso completo, aceito de boa vontade, tem mais êxito sobrenatural que todos os triunfos.

Semear sem preocupar-se do que sairá. Não se cansar de semear. Dar graças a Deus pelos frutos apostólicos dos meus fracassos. Quando Cristo falou ao jovem rico do Evangelho, fracassou, mas, quantos escutaram a lição; e diante da Eucaristia, fugiram, mas quantos vieram depois! Trabalharás! O teu zelo parecerá morto, mas quantos viverão graças a ti!

Nosso Senhor depois da Ressurreição não se contentou com gozar da sua própria felicidade. Como a alegria do professor é o conhecimento dos seus alunos… a sua esperança não é completa até que todos aprendem; como o Capitão do barco não tem a sua esperança completa até que se salve o último… Seria péssimo se se contentasse com a sua própria salvação!

Todo o céu é a grande esperança dirigida para a terra. Santo Inácio tem grande esperança em nós e não a colmará senão quando o último jesuíta tenha entrado. A esperança é o laço que une o céu e a terra. Não imaginemos o céu com poltronas tranqüilas. São Pedro está olhando o Vaticano todo o dia. A terra é o jornal do céu. Por isso podemos gritar: Ei!, salva-nos que perecemos! Lembra-te que é a tua obra que arde. Ei!, santos, olhem a sua obra! Rezem por nós! A Igreja o faz em forma imperativa!

O céu, todavia, não está acabado: falta parte da Igreja. E quando chega um pobre homem coberto do pó da terra, a alegria que haverá no céu! O Senhor o diz: haverá mais alegria no céu… (Lc 15,7).

Todo o céu interessando-se pela terra! E por isso Nosso Senhor aparece à sua Mãe… Interessa-se por tudo, até pela pesca dos apóstolos; do que eles comem: Tendes algo para comer? Comeu e distribuiu os pedaços (cf. Jo 21,1-14). Para mostrar-nos que mais do que a sua própria felicidade eterna, interessa-lhe a sua obra na terra.

 
  texto 11 de 45