Textos
24. Sacerdote do Senhor
 
     
 

Carta de outubro de 1933, depois de ter sido ordenado sacerdote

Já sou sacerdote do Senhor! Bem compreenderá a minha felicidade imensa e com toda sinceridade posso dizer-lhe que sou plenamente feliz. Deus concedeu-me a grande graça de viver contente em todas as casas por onde passei e com todos os companheiros que tive. E considero isto uma grande graça. Mas agora, ao receber para sempre a ordenação sacerdotal, a minha alegria chega ao seu cúmulo. Agora já não desejo mais que exercer o meu ministério sacerdotal com a maior plenitude possível de vida interior e de atividade exterior compatível com a primeira.

O segredo desta adaptação e do êxito, está na devoção ao Sagrado Coração de Jesus, isto é, o Amor transbordante de Nosso Senhor, o Amor que Jesus, como Deus e como homem, tem por nós e que resplandece em toda a sua vida. Se pudéssemos realizar na vida esta idéia: o que pensa disto o Coração de Jesus, o que sente de tal coisa…? E procurássemos pensar e sentir como Ele, como engrandecer-se-ia o nosso coração e transformar-se-ia a nossa vida! Pequenezes e misérias que cometemos e que vemos que se cometem ao nosso lado desapareceriam, e nas nossas comunidades reinaria uma felicidade sobrenatural e também natural, maior compreensão, um respeito maior de cada um dos nossos irmãos, pois até o último merece que nos perturbemos por ele, e que o tenhamos na devida conta. Esta é uma idéia que me vem com freqüência e que a penso muito, porque desejaria realizá-la cada vez mais.

Eu creio que a devoção ao Sagrado Coração devemos vivê-la em base a uma caridade sem limites, que faça com que os nossos irmãos sintam-se bem em companhia dos seus irmãos e que os leigos sintam-se movidos não pelas nossas palavras, que na maior parte das vezes deixá-los-á frios, mas pela nossa vida de caridade humano-divina para com eles. Mas, esta caridade dever ser também humana, se quer ser divina. Neste ambiente de ceticismo, que reina agora, eu não creio que exista outro meios, humanamente falando, de pregar Jesus Cristo entre os que não crêem senão este: o do exemplo de uma caridade como a de Cristo.

Adeus, meu querido irmão Sérgio. Não me esqueça diante do Senhor.

Alberto Hurtado C. s.j.

 
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